terça-feira, 9 de junho de 2009

Tô sem rivotril.

Eu nunca estou necessariamente sempre sozinho. Mas sei muito bem o que é o andar solitário entre as gentes. Não preciso necessariamente também estar me sentindo sozinho, há várias outras razões pra uma pessoa exibir uma feição de Juliette Binoche em A Liberdade é Azul. Mas é quase impossível pensar na palavra melancolia e não associá-la à solidão. Enfim, sou um sujeito que, mesmo nos momentos de maior euforia, deixo escapar, entre sinceras risadas, um vago olhar triste de quem tem a impressão de que la vitta não é tão dolce. Nessas horas, após destilar meu sarcasmo e ironia em tiradas que quase ninguém entende, sempre procuro um canto de sofá, varanda ou sacada onde possa pensar um pouco na vida, contemplando o horizonte interno da minha alma dilacerada. Dramático demais ? Pois pra mim a vida é assim. Vivo num seriado lacrimoso da Sony ou num filme do Kieslowski - depende do estágio cultural de melancolia em que me encontro. E em meus tímpanos sempre ecoam algumas notas de Belle and Sebastian, Jeff Buckley, Radiohead, R.E.M., Portishead, Edith Piaf e árias de Puccini. Não importa o estilo de música. O que eu quero mesmo é segurar o choro mesmo quando minhas retinas tão fatigadas estão sob óculos escuros. Você pode me ver folheando um livro, esperando pela pessoa da minha vida que nunca vêm dialogar sobre meu escritor favorito. Também posso estar sentado em um café, no meu terceiro expresso, com o cinzeiro já lotado. Ou tomando um iced tea em algum quiosque de parque público, a observar os transeuntes geração saúde. Posso até estar numa praça de alimentação lotada de teens graciosamente insuportáveis, devorando aos poucos seu Cheddar McMelt. E aí Egnon, você não tem amigos, namoradas? Claro que tenho - quanto às namoradas... Aff. Saio com várias pessoas, mas não consigo me fixar a ninguém. Até mês passado. Meu instinto de Werther já prevê o drama que uma entrega poderia causar. Mas o namorado se tornou uma pessoa que não se sente incomodada com os meus minutos de silêncio - alguém que, não só sabe respeitar e aceitar minha aparente quietude, mas que se complementa nesse clima outonal e me aquece. Alguém que gosta de uma pessoa melancólica.

Florais e mais de três anos de terapia pareceram me bastar. Mas se isso não for o bastante, se nem meus amigos já me tiram da fossa, eu ainda tenho meus gatos pra me consolar.